sexta-feira, 30 de março de 2018

O Google Home tem utilidade?

Google Home

Atenção: este é um artigo de opinião pessoal, onde falo as minhas impressões sobre o Google Home e outras assistentes virtuais baseado apenas em reviews, vídeos e comentários de pessoas que têm um desses dispositivos em casa. Nunca usei ou testei nenhum deles, por isso as minhas opiniões nesse texto são impressões pessoais de quem nunca usou, e não opiniões com o objetivo de cravar algo como verdadeiro ou falso, bom ou ruim. Inclusive posso mudar de opinião no futuro quanto a esse tema.

Esses dias vi uns reviews que saíram do HomePod. Então fiquei curioso para ver os reviews do Google Home, para ter uma comparação (apesar do HomePod ser considerado pela própria Apple como uma caixa de som, e não como um assistente virtual para a casa). Enquanto pesquisava, vi que o Google Home pode fazer várias coisas legais, como acender e apagar as luzes, mudar a cor delas, tocar uma música que você pediu, ligar a sua TV num vídeo do YouTube ou numa série ou filme da Netflix. Dá também para pedir para ela ler as últimas notícias, ver o clima, o trânsito, a sua agenda, colocar um alarme para você se acordar. Dizem que dá até para programar para ela lhe levantar mais cedo caso perceba que está tendo um engarrafamento no seu caminho para o trabalho. Tudo isso através daquela caixinha, e tudo comandado por voz.

São coisinhas bem legais. Mas depois fiquei pensando, nada disso é realmente necessário para alguém. É só legal você dizer: “Ok Google, turn on my lights” (ela só funciona em inglês e outras poucas línguas por enquanto), mas será que seria trabalhoso você ir lá no interruptor e ligar a luz você mesmo? Eu tenho uma desconfiança de que talvez isso não funcione direito e você fique que nem um bobo falando sozinho pela casa pedindo para o Google Home fazer algo. Digo isso porque fazer o Google Now entender alguma coisa no celular não é fácil. Eu ainda não tenho acesso ao Google Assistent pelo celular, porque o meu Android é o 5.0, mas acredito que não seja muito diferente. Uma vez tentei adicionar um evento no calendário pelo Google Now através de voz e vi que alguns campos para preencher não estavam disponíveis. Então deixei para lá e fui eu mesmo colocar o evento no calendário manualmente. Outra coisa que acontece muito: quando tento fazer uma pesquisa por voz no Google Now nem sempre ele digita o que eu disse corretamente, então eu tenho que ficar repetindo. Ficar repetindo algo é um incômodo, não tenho paciência, então desisto e vou lá no Chrome e digito eu mesmo o que eu quero pesquisar. Será que com o Google Home isso também não acontece? Eu fico imaginando situações em que o Google não entenda o que eu quero dizer e no fim de tudo eu mesmo vou ter que ir até o interruptor e ligar ou desligar a luz, e o Home terminar virando um mero enfeite.

Outro ponto é que nos Estados Unidos e nos outros países onde o Google Home é vendido oficialmente talvez faça mais sentido ter um do que aqui no Brasil. Lá nos Estados Unidos as assistentes virtuais para casa é um produto que está caindo no gosto das famílias. O Google diz que vende mais de um Google Home por segundo desde que lançou o Google Home Mini, uma versão menor e mais barata do Google Home, mas que faz as mesmas coisas da versão mais cara, e uma outra estatística diz que cerca de 70% das assistentes virtuais vendidas nos Estados Unidos são as da Amazon Echo, que vem com a Alexa. Dizem que lá nos Estados Unidos a Alexa é muito mais completa e compatível com outros equipamentos do que o Google Home, e que ela pode até te ajudar na hora de fazer uma compra na Amazon. Aqui no Brasil isso não faz diferença, primeiro porque os produtos compatíveis com o Echo e com o Google Home só vendem em outros países e você teria que importar, e segundo porque no caso da Amazon do Brasil, poucos produtos são vendidos aqui. Parece que no Brasil vale mais a pena ter um Google Home do que uma Alexa, porque o Google Assistent pelo menos entende onde você está, para dar o clima da sua cidade por exemplo, ao invés de dar a de uma cidade qualquer dos Estados Unidos como a Alexa faz. Nos Estados Unidos ainda dá para controlar a temperatura do termostato através dessas assistentes. No Brasil como não usamos aquecedores não precisamos disso. Como dá para ver, as opções de uso são maiores lá fora.

Outra coisa que me incomodou é que você pode pedir para o Google Home fazer uma pesquisa de vídeo no YouTube ou abrir um filme da Netflix na sua televisão, mas para isso funcionar você precisará ter um Chromecast na sua TV. Até aí tudo bem, mas então você lembra que o Chromecast só funciona através do seu celular. Isso quer dizer que ao pedir para o Google Home exibir um vídeo do YouTube ou filme da Netflix na sua televisão, o que ela estará fazendo na verdade é enviando o comando para o seu celular, para que ele envie o comando para o Chromecast que está conectado na sua televisão. Eu não estou certo se é realmente assim que funciona. Tentei pesquisar se o Google Home precisa do celular conectado na mesma rede para funcionar, mas não encontrei nada sobre isso. Mas se for assim, não gostei porque se o seu celular descarregar, o que acontece? Você perde funcionalidades? Acho um erro você criar um sistema inteligente para a sua casa que centralize tudo no celular. Celulares descarregam. É o mesmo mal do WhatsApp Web.

Nesse caso não seria melhor você comprar uma box com Android TV ou uma Apple TV e apertar alguns botões no controle para achar o vídeo ou filme que você quer? Pelo menos esses aparelhos não são dependentes de nenhum outro e estarão lá quando você precisar.

No fim o Google Home e Amazon Echo são dispositivos legais que você pode ter em casa se for uma pessoa que gosta de tecnologia e tem algum dinheiro sobrando. As assistentes em si nem são tão caras, mas os produtos que você precisará ter para usar com elas são. As luzes inteligentes da Phillips por exemplo tem preço de R$ 1.300,00, com 3 lâmpadas na caixa. É um brinquedinho legal, que você vai brincar no começo e depois pode achar chato e deixar para lá, assim como você faz com a assistente pessoal do seu celular na primeira vez que usa (ou não).

Acessei a lista de dispositivos compatíveis com o Google Home e existem vários. Dei uma olhada em dois: em uma campainha inteligente com câmera, que se conecta ao celular do dono sempre que alguém toca nela, dando para ver quem é de onde o dono da casa estiver, e em uma trava inteligente para a porta, que destranca sozinha quando você está perto de casa e tranca sozinha quando você sai, sem precisar usar a chave em momento nenhum, apesar de ser possível usá-la também. Perceba que as duas precisam do celular para funcionar. A campainha manda uma notificação para o seu celular quando alguém chega e você pode ver quem está do lado de fora e pode até falar com ela (a pessoa irá escutar apenas a sua voz). A trava na porta irá destrancar quando você estiver perto de casa através do sinal do seu celular. Descarregou o celular? Acabou a casa inteligente. Esse é o erro de centralizar tudo no celular. Mas os produtos são legais, eu gostei deles, são úteis. Nem sabia que poderiam existir produtos assim. Mas e onde entra o Google Home nisso? Então, primeiro, para cada um desses produtos você tem que instalar um aplicativo no seu celular, então não necessariamente você precisa de um Google Home para fazê-los funcionar na sua casa. O Google Home vai servir para você perguntar: “Ok Google, a minha porta está trancada?” (em inglês, claro). Então o Google Home vai acessar o seu aplicativo para descobrir isso e dizer a você. Você mesmo poderia ir no aplicativo do seu celular e checar. Você também pode pedir para o Google Home trancar a porta (mas não destrancar), da mesma forma como você poderia fazer no seu celular. No caso da campainha você pode pedir para o Google Home mandar a campainha tirar uma foto ou gravar um vídeo da pessoa que está do lado de fora, mas isso também dá para fazer pelo aplicativo da campainha que você baixou no seu celular. Achei essas funções bem limitadas. Você pode dizer: “Ah, mas eu posso estar cheio de coisas na mão, ou simplesmente com preguiça de pegar o celular, então é mais fácil falar”. Aonde chegaremos se continuarmos assim? Em cima de cadeiras que andam sozinhas e nos levam para onde a gente quer para evitar o nosso esforço de andar, como em Wall-E?

Sabe, eu adoraria ter um assistente pessoal que fizesse tudo para mim. Mas eu digo tudo mesmo, como o Jarvis do Homem de Ferro. Aquilo sim é legal. Ele é inteligente, interage com a naturalidade de uma pessoa de verdade e tem personalidade. Acho que um dia a gente chega lá, e essas assistentes virtuais da atualidade são um primeiro passo para um dia chegarmos naquele nível de inteligência. Mas você pedir coisas bestas a uma assistente, coisas que você mesmo poderia fazer e não faz simplesmente porque está com preguiça ou com a mão cheia de coisas? Isso já é demais. Coloque suas coisas no chão e faça o que tem que fazer.

Quando as assistentes virtuais não existiam ninguém sentia falta de um aparelho que fosse capaz de ver se a sua porta estava trancada ou que acendesse a sua luz. Todo mundo se virava e vivia normal, porque essas não são coisas difíceis da vida. É fácil colocar suas coisas no chão e destrancar a porta para entrar na sua casa, é fácil apertar no interruptor e acender a luz, é fácil ver se sua porta está trancada. Isso não deixava a vida de ninguém mais complicada, mas agora estão criando necessidades que não existiam antes. É aquela história que Steve Jobs dizia: “As pessoas não sabem o que querem até você mostrar a elas”. Mas acho que falta definir bem o que é necessidade né? Porque hoje em dia tudo é uma necessidade de consumo. Você não precisa daquilo realmente, você quer apenas consumir e mostrar o quanto você é legal por ter aquilo.

Não vou ser exagerado e dizer que as assistentes virtuais não servem para nada. Ela tem lá as suas utilidades. Ainda são limitadas, mas são legais. Acho até que elas são mais úteis que um smartwatch, por exemplo, que não passa de um celularzinho de pulso que serve para mostrar as notificações do seu celular que está bem ali no seu bolso, porque ele só funciona perto de um celular, não tem autonomia.

Tô falando dos pontos negativos das assistentes virtuais nesse texto, mas também não é como se eu nunca na vida vou comprar uma. Como eu disse mais acima, isso é como um brinquedo para quem tem dinheiro sobrando para gastar. E se você é uma pessoa que gosta de tecnologia, tem dinheiro sobrando e quer um brinquedo tecnológico, o que lhe impede de comprar? Qual é o problema? Se você tem dinheiro sobrando pode fazer o que quiser. Só não gosto das justificativas que as pessoas criam para dizer que precisam de uma assistente virtual em casa, porque, sério, ninguém precisa disso. Pelo menos não nos dias de hoje, pelo menos não com a limitação dessas assistentes de hoje. No futuro, com o avanço das coisas, aí eu já não sei, talvez se torne mais comum, talvez se torne mais verdadeiramente útil.

Jóckisan

é pernambucano, e é blogueiro. Gosta de escrever, compartilhando as suas opiniões e o que sabe. Gosta de ler livros e de assistir a bons filmes e séries. Na internet gosta de ler notícias, e também sobre cinema, tecnologia e TV. Também escreve no Mundo Geek.
comments powered by Disqus

 

Copyright @ 2011-2015 Fique Sabendo!.